Um dia alguém me disse que todo mundo se vai, que ninguém vai ficar pra "semente", que a vida tem começo, meio e fim; mas, ninguém me disse que seria tão torturante quando se perde alguém, alguém que não necessariamente é uma pessoa e sim uma companheira.
Pra mim, os dias eram apenas os próprios dias, quando eles terminavam, depois de acordar começava um novo e assim por diante, nada muito dramático, apenas tudo acontecia com muita naturalidade.
Sempre me preparava para o pior, sempre acreditei ser forte o bastante para conseguir superar muitos obstáculos. Apesar de muitas das vezes não conseguir segurar a tal "força", eu tentava, juro que tentava. Nada mais no mundo poderia me abalar, a não ser uma bela taça de vinho em uma noite fria de sexta-feira, ou melhor, isso não iria me abalar e sim me satisfazer, ou não.
Passamos por tantas coisas juntas, desde aquele aniversário, lembra? Sim, aquele aniversário, eu sei que você vai se lembrar dele. Aquela minha angustia, ansiedade toda, não foram em vão. É, poderia trazer o presente que fosse, nada me deixava feliz, ou melhor, feliz me faziam, só não me faziam estar em um estado de felicidade extrema, em que você não se segura para gritar, chorar e abraçar tudo o que vê.
Te vi correndo, fugindo, brincando. Te ensinei a não sair perto de mim, a sempre fazer xixi naquele certo lugar, e te contava segredos, apesar de você não falar, você ao menos me escutava sem questionar nenhuma palavra dita. Vou confessar, adorava seu ciúme por perder a atenção por um bebê.
Com os anos você envelheceu, começou a parar de correr, a parar de querer morder tudo, mas, continuava com o mesmo amor, o mesmo carinho e a mesma atenção que sempre me dava. Sabia quando estava doente e precisava de um consolo, sabia quando estava brava com você e sempre vinha com um gesto de desculpas. Adorava quando eu estava concentrada fazendo alguma coisa e você vinha pedindo carinho, e deitando emcima do meu pé, fazendo ele de travesseiro, adorava brincar com você e ver que você estava se divertindo mesmo com aquilo. E como se divertia.
Quando houve o dia de eu ir embora, soube que algo de muito ruim iria acontecer, mas tentava pensar que isso era apenas um pensamento muito ruim. Chegava em casa nos fins de semana, e a primeira a me receber era você, a correr em direção ao meu colo e me lamber demonstrando do seu jeito sua felicidade por estar me vendo por um breve tempo.
Mas, tem um dia que tudo acaba, em que eu chego em casa, e eu tenho que ir a sua procura, em que eu não consigo te encontrar em lugar algum. Em que a única coisa que eu encontro é um vazio em meu peito pedindo pra você voltar, pra continuar do meu lado até o final da minha vida.
Porque afinal, quem irá sempre me escutar sem me questionar agora?
"A morte é só a certeza da continuação da vida!" (S.M.)
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